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A Arte na Recuperação de Créditos
09/03/2006

Uma visão importante sobre um ponto de preocupação empresarial relembrado muitas vezes somente em momentos críticos de alta inadimplência.

Após ter atuado por 25 anos nas áreas de recuperação de créditos tanto em nível amigável como judicial me proponho a relatar o módus operante tanto da visão empresarial como também pela visão cliente.
Visão Empresarial:
Imaginemos uma empresa bem conceituada no mercado, com profissionais altamente preparados com níveis culturais elevados, formados nas melhores universidades e que num dado momento, resolvem por bem atuarem para lançamento de um novo produto.
Para ilustrar, pensemos que a nossa empresa trata de produto manufaturado: fábrica de bolsas e sapatos femininos, por exemplo.
A área de desenvolvimento de produto, entende por bem ser um momento oportuno para lançar novos modelos. A área
de criação apresenta bolsas e sapatos modernos. O departamento de marketing inicia uma campanha publicitária nas mídias televisa e escrita, com total sucesso. As vendas, em menos de um mês, superam a meta. O Diretor Industrial surpreende a todos com novo recorde na produção. A expedição diante das performances dos departamentos cumpre na íntegra as datas de entrega. A contabilidade
emite as faturas, com prazos de trinta, sessenta e noventa dias. O Diretor financeiro entende ser uma excelente oportunidade de descontar os títulos e assim adquirir o maquinário que tanto almeja, permitindo-lhe
dobrar a produção. O Presidente brinda a todos pelo sucesso, oferecendo uma festa de gala permitindo que cada funcionário leve um acompanhante.
Pois bem senhores, inicia-se então os vencimentos das faturas e após trinta dias, deslumbra-se um caos, pois a inadimplência chega aos 50% com tendência a aumentar nos próximos vencimentos. Neste momento, o conselho lembra de um departamento que ao longo dos períodos não costuma
ser tanto lembrado exceto nos fechamentos de trimestre onde contabiliza-se as perdas, quase sempre nunca superiores aos 1.5% do faturamento, mas neste mês este percentual chega aos 50%. Budget estourado, forcast sem curacidade forçando a Diretoria a voltar à atenção para os Budget Explanation.
Então, descobre-se a importância do departamento de recuperação de créditos, que passa a ter a grande responsabilidade de reverter este quadro.
Para minimizar as perdas é necessário que aja uma organização nas ações com os clientes, doravante denominados devedores. È necessário que se desenvolvam
Políticas, fluxos operacionais, régua de ações, tabelas de revisões envolvendo todos os níveis hierárquicos, com a plena participação da área jurídica a qual terá a responsabilidade de preservar a empresa no âmbito legal.. Também se deslumbra a necessidade de se criar um Credit Scoring e para curacidade o Behavior Scoring. Estas duas ferramentas são de vital importância para créditos futuros.
Este exemplo poderia ser considerado pura utopia, mas acreditem, isto já ocorreu, ocorre e poderá ocorrer novamente. Pesquisem os anos de 1987, 1993,
1995 e 1999 e analisem os balanços de bancos, administradoras de cartões e empresas de auto peças.
Com referência aos clientes (Devedores) recomenda-se estarem atentos para os extratos da dívida, entenderem os valores lançados, obter cópias de contratos e sempre que possível buscarem contatar diretamente as empresas credoras,
pois estas ao transferirem seus créditos para empresas de cobrança pagam taxas de comissionamento. Seria também interessante pesquisarem a situação da dívida no que tange a tempo e quem são seus detentores. Por exemplo, se
a dívida foi securitizada e/ou vendida para outra empresa. A legislação proíbe juros capitalizados ou acima de 1% ao mês.
Estas informações são importantes para minimizar o saldo devedor e viabilizar o acêrto.

Autor: Roberto Schenfert "schenfert@globo.com" especialista em recuperação de
ativos. Ex-diretor de um grande banco. Idealizador do projeto Blitz aplicado no mercado Brasileiro, Mexicano, Argentino e Venezuelano, por uma grande empresa multinacional líder no segmento de cartões de crédito, onde fora superintendente, tendo sido reconhecido internacionalmente pela associação Norte Americana Who, face à excelente performance obtida.
Atualmente é consultor de risco.

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